[Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

Mensagem por Lygia em Seg Maio 14, 2018 4:57 pm

Admito que eu ergui uma sobrancelha quando ele começou a erguer minha mão. Mas nada poderia me preparar para o que aconteceria a seguir.

Como se já não fosse ruim o suficiente Hank beijar minha mão, ali, do nada, ele ainda o fez ao mesmo tempo que desbloqueava o cosmo dele.


Ok, entendido. Eu não ia mais xingar Chara na sua frente, agora só vamos voltar a andar como pessoas normais...

É, os planos de Hank não estavam exatamente alinhados com os meus. Eu tive certeza disso quando ele me puxou para mais perto, dando um daqueles sorrisos de bom menino dele. Será que ele tinha noção do que estava fazendo? Lobos, cães... eram todos iguais...

Olhei de novo enquanto pedia para não levantarmos mais o assunto sobre Chara. Não, ele não tinha noção. Nenhuma.

Ok, como você quiser. Só volte a agir normalm...



Merda.

O milissegundo que tive para ler o movimento de Hank não foi suficiente para que eu raciocinasse sobre o que estava acontecendo. Minha expressão continuava elegantemente surpresa e atenta ao que ele falava, mas eu tinha quase certeza que minha frequência cardíaca tinha perdido o compasso com o susto por um instante. Como alguém que tropeça um degrau de uma escada, mas logo recupera o equilíbrio.

Aquilo sim havia sido inesperado. O abracei de volta, dando ligeiros tapinhas nas costas dele, num sinal de que estava tudo bem. Para mim também, ficaria tudo bem.

Hank não era uma ameaça. Bastava eu não me deixar levar por aquele calor nostálgico, e tudo continuaria igual. Hank não ficaria triste, eu continuaria viva e nós continuaríamos bem.

Senti o abraço dele folgar, e também relaxei meus braços. Aproveitei a distância pra realinhar minha roupa, um pouco sem graça, mas ainda de forma divertida, e assim, liberar minhas mãos, sorrindo satisfeita para ele.


- É bom ter você de volta. - eu disse com sinceridade. O que diabos Tokyo estava fazendo com aquele menino? Ele nunca fora assim no santuário. Gentil sempre, mas digamos que ele estava excepcionalmente cuidadoso. Eu não havia deixado minhas habilidades escaparem por aí, havia? - Ok, essa será nossa missão, eu prometo. E se conseguirmos resolver tudo a tempo, vou te levar para comer a melhor coisa da sua vida.

Eu prometi com um ar de barganha, já olhando para o meu relógio, e torci o lábio ligeiramente para o lado, em desaprovação.

- Mas para isso, precisamos chegar a tempo em nosso primeiro compromisso do dia. - eu suspirei, ajeitando um pedaço de minha franja, recomeçando a andar, mas me mantendo ao lado dele - Vamos? Não podemos deixar um amigo da Elisa esperando...

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O Colunista Surpreso

Mensagem por Youta em Qua Maio 16, 2018 2:42 am

O lupino a soltou e sorriu calmamente para ela, do jeito convencional. Ele parecia realmente de volta ao seu estado natural, de gentileza confortável e de sorriso acolhedor. Ele olhou para um dos inúmeros mostradores digitais na rua quando Lygia consultou as horas e se pôs a segui-la, dizendo:
 
- Obrigado! Você tem toda a razão temos que nos apressar. E eu vou adorar comer o que você tem a me apresentar, mas vamos sim, vamos chegar logo até a casa do amigo da Elisa.
 
E assim, os dois se deslocaram pela cidade gigante com velocidade apressada, mas ainda humana. A multidão ficava mais intensa conforme se aproximavam do centro de Imperial Edo, o bairro mais badalado de Tóquio.
 
Tóquio, ou Neo Tóquio como também era chamada era uma das cidades mais avançadas no quesito tecnologia, de modo que painéis enormes de led, torres inteiras de sinal de Wi Fi cobertas de luzes e fachadas inteiras de anúncios eram uma constante na rua, tanto quanto as pessoas consultando suas telas holográficas geradas na pele ou seus micro consoles multifuncionais para ouvir músicas ou notícias. Desta forma, Lygia e Hank conseguiam se mover sem ser notados na cidade, mas era perigoso demais ativar seus sentidos aguçados em um lugar como esse. Um lugar apinhado como este dificilmente daria uma boa sensação aos cavaleiros, além de mais atrapalhá-los do que ajudá-los.
 
E isto preocupava Lygia, por não poder confiar plenamente em seus sentidos, se fosse detectar alguma coisa, ela demoraria muito mais do que seu tempo de reação normal, ou perceberia quando a coisa estivesse muito mais próxima, a menos que ela também emanasse um cosmo alto.
 
Deixando as conjecturas de lado, eles logo chegaram a um complexo residencial com diversos prédios, cercado de torres de vigilância. Porém, elas estavam sem nenhum vigia e o acesso até a casa de Chuck Webster foi fácil. Ele morava em um grande condomínio. Eles acessaram a portaria do prédio e sem consultá-los, o guardião da porta os deixou subir pelo suntuoso elevador. Lygia sentiu a rosa de Elisa pulsar em sua bolsa, quase se mexendo de forma visível. O cosmo da pisciana pulsava através da bolsa da amazona, de forma perceptível para ela.
 
Subiram no elevador, Hank encostado a uma das paredes do carro sem dizer nada, apenas pensativo. Logo desembarcaram. Lygia viu a grafia do apartamento procurado. Era o único do andar com uma porta enfeitada por Art Noveau e os números de forma rebuscada. Uma campanhia esperava ao lado da porta, que logo foi acionada pelos cavaleiros.
 
E então, um homem abriu a porta, com um olhar ligeiramente surpreso. Ele tinha os olhos e os cabelos em um mesmo tom azulado muito bonito e estava impecavelmente vestido. Ele olhou para ambos e disse com um tom que deixava visível sua dúvida:
 
- Sim?
 
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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

Mensagem por Lygia em Qua Maio 23, 2018 2:43 am

Aquele lugar era um absurdo. Eu havia chego naquela conclusão apenas de olhar o exterior do complexo, e já pensava na dificuldade que teríamos para chegar lá, quando as portas se abriram sem perguntas.

As torres vazias eram muito suspeitas, e o pulsar da rosa de Elisa não estava me deixando mais tranquila. Antes, meu cosmo estava reprimido por conforto, mas agora, eu o fazia por cautela.

Quando chegamos ao elevador, me permiti pegar um batom em minha bolsa, como se fosse retocar minha maquiagem. E aquilo era apenas uma desculpa para retirar meu leque da bolsa, como se ele estivesse dificultando encontrar o pequeno batom.

Com mais uma olhada no espelho, peguei a rosa de Elisa, posicionando-a em meu cabelo, e novamente, seu caule se torceu como por mágica, se fixando firmemente como um adorno em minha cabeça. E assim, quando a porta se abriu, joguei meu batom dentro da bolsa, agora vazia, mas eu tinha minha arma em minha mãe, a apenas um movimento de abri-la, mas sem aparentemente representar perigo para qualquer pessoa que me visse.

Quando saímos do elevador, eu me abanava de forma distraída, olhando em volta para o corredor luxuoso, enquanto deixava que Hank tocasse a campainha.


Youta escreveu:
- Sim?

Eu fechei o leque contra a palma da minha mão livre, segurando-o mais ou menos pelo seu centro, sorrindo agradavelmente para o homem à minha frente, tão peculiar quanto sua porta. Daquela forma, eu poderia esfaquear um possível atacante com as pontas afiadas do meu leque, ou apenas fazer um charme, cortando as barreiras físicas entre nós, dizendo da linguagem dos leques que gostaria muito de conversar com aquele homem.
- Mr. Chuck Webster? – eu indaguei, com agradável expectativa - Me chamo Lygia Conti, e este é Hank Twao. Somos amigos de miss Elisa. – eu ofereci minha mão livre, mas muito ciente do meu entorno. Uma vez que não poderia contar com meu cosmo, ficaria com meus sentidos humanos.

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Casa de Fotografia

Mensagem por Youta em Qua Maio 23, 2018 9:44 am

A porta se abriu por completo, revelando o corpo do rapaz por completo. Chuck Webster deveria ter por volta de 25 anos, nem muito mais velho nem muito mais jovem do que isto, muito embora as cirurgias plásticas e a bioescultura de rostos pudesse fazer milagres naqueles tempos. Estava vestido com um elegante colete cinzelado e um terno de risca de giz azul.
 
O homem ouviu a apresentação de Lygia e cumprimentando o lupino com a cabeça, ele tomou a mão de Lygia e beijou delicadamente as costas dela, com muito mais volúpia que Hank tinha feito instantes atrás, mas com muito menos do que a maioria dos homens fazia com a amazona. Ele era amigo de Elisa, deveria ser, no mínimo, educado.
 
Hank retribuiu o cumprimento de cabeça com o mesmo movimento e com um sorriso simpático, digno dos que ele geralmente usava.
 
Chuck então, soltou a mão e respondeu Lygia com um sorriso contido e educado. A moça notou os olhos do homem indo diretamente para a rosa que ela carregava no cabelo, como se soubesse exatamente de que Elisa ela estava falando.
 
 
- Encantado em conhecê-los, Senhorita Conti e Senhor Twao. Por que não entram para conversarmos melhor?
 
A casa era um espetáculo a parte. Toda decorada em estilo vitoriano parecia ter viajado no tempo para recebê-los. As janelas tinham vidraças em estilo antigo, pesadas e com molduras de ferro. A mobília era de mogno ou madeira de lei, impecavelmente limpa e lustrosa. Tapetes de couro e pele sintéticos emolduravam o piso, este feito de tacos polidos e madeira e de policarbonato, dando um aspecto vítreo e reflexivo ao chão da casa.
 
O homem com gosto refinado os conduziu a um sofá com espaldar e então, sentou-se em uma poltrona confortável à frente deles. Ele sorriu e suspirou de saudade, recomeçando a falar:
 
-Ah, Elisa! A mais bela das beldades que já tive a sorte de encontrar! A rosa é dela, não é? Chuck apontou para o cabelo de Lygia, com um sorriso maravilhado: - Reconheceria este formato, este frescor e este aroma em qualquer lugar. Se são amigos de Lady Elisa, são meus amigos também! O que posso fazer por vocês, Senhorita Conti, Senhor Twao?
 
O lupino não respondeu. Ele olhava bestificado em volta, mas Lygia o notou atento à porta do apartamento. Por dentro, ela parecia totalmente diferente do que era por fora. Tinha diversas trancas eletrônicas, uma mais sofisticada do que a outra. Enquanto Hank olhava para a casa e procurava Lygia não sabia o que, Chuck esperava a resposta da amazona, enquanto tamborilava com os dedos nos joelhos, sorrindo.
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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

Mensagem por Lygia em Qua Maio 23, 2018 3:48 pm

Mais novo do que eu pensava na verdade... Isso é, assumindo que aquele rosto era dele mesmo, e não comprado por aí. Mas ele era tão estiloso quanto eu imaginava.

Não foi difícil perceber que os primeiros cômodos do apartamento estavam vazios, mas aquilo não me tranquilizava tanto quanto deveria. Alguém que morava num lugar como aquele atendia à própria porta? Onde estava alguém com uma bandeja de prata? Clichê? Totalmente...

Mas clichês eram estabelecidos por uma questão de observação e repetição. O que fugia ao clichê sempre tinha um motivo. E eu não gostava de surpresas.

Na verdade, a total ausência de outros seres humanos naquele complexo me incomodava profundamente. Afinal, nós estávamos em Tokyo. A cidade mais populosa do planeta! Ele não podia ser tão rico assim, podia?

Enquanto eu conjecturava, ele tomou minha mão, e respeitando o padrão de comportamento masculino, a beijou com um pouco de intimidade demais para um recém conhecido.

Ao menos um comportamento dentro do esperado arrancou um ligeiro sorriso dos meus lábios, o qual cobri timidamente com a ponta do leque, ainda fechado, que escondia apenas parcialmente meus lábios.

Em meio ao convite para entrarmos, o olhar que ele depositou na rosa em meus cabelos não passou despercebido. Bom, ou estávamos diante do homem certo, ou estávamos caminhando bonitinhos para dentro de uma armadilha. Ao menos, a possibilidade de ser o homem errado diante de nós havia sido descartada.

Ao entrar, deixei meu queixo cair ligeiramente, observando a decoração da casa. Ou assim fingindo. Mentalmente, mapeei portas, janelas e pontos cegos. Locais por onde ameaças poderiam surgir e por onde nós poderíamos fugir. Em meio a tudo isso, também observei os arredores. Ok... talvez ele fosse tão rico assim.


- Sua casa é maravilhosa. - eu comentei como quem deixa escapar um pensamento, mas voltei meu olhar para ele, como que admitindo o que eu acabara de falar - Bom... não poderia esperar menos depois de ouvir sobre você de Elisa.

Youta escreveu:
-Ah, Elisa! A mais bela das beldades que já tive a sorte de encontrar! A rosa é dela, não é? Chuck apontou para o cabelo de Lygia, com um sorriso maravilhado: - Reconheceria este formato, este frescor e este aroma em qualquer lugar. Se são amigos de Lady Elisa, são meus amigos também! O que posso fazer por vocês, Senhorita Conti, Senhor Twao?

Eu ri, ok, naquilo nós concordávamos. Descansei meu leque sobre minhas pernas cruzadas, sentando à ponta do sofá, ligeiramente apoiada sobre um dos braços com o cotovelo. Uma posição para manter o alinhamento de minhas roupas e o conforto de meu salto. Mas também, uma posição de reação rápida a qualquer estímulo.

Bom, ele reconhecera a rosa de Elisa, e se não me engano, ela nunca se passara por uma artesã. Eu assenti, tocando-a levemente com os dedos. Ao fazê-lo, deixei meu cosmo fluir discretamente, ainda abaixo do potencial dormente de um cavaleiro de bronze, algo como um humano sensível ao cosmo. Se ele não fosse cosmo dotado, não perceberia nada. Se tivesse alguma sensibilidade, não era o suficiente para ela saber se vinha de mim ou da rosa de Elisa. Agora... se seu humor modificasse ou ele se colocasse em alerta, eu saberia imediatamente que tínhamos um problema em mãos.


- Sim, é a rosa dela; ela nos disse que seria o cartão de visitas dela. - dizendo isso, retirei o adorno de meu cabelo, ajeitando-o com a mesma mão, sem nunca abandonar meu leque - E também um presente por nos atender tão gentilmente. - eu então ofereci a rosa de Elisa com um sorriso de agradecimento. Seria rude simplesmente passar para as explicações de um favor antes de trocar cordialidades. Rude e arriscado.

Eu havia visto a porta que Hank olhava surpreso, e fingia muito mal que não notara a quantidade de trancas. Dando a impressão que eu estava educadamente não perguntando do que se tratava tanta segurança, mas que queria muito saber o motivo para tanto.


- Me sinto honrada em saber que poderemos ser amigos. - eu respondi à gentileza, desviando meus olhos da porta, e os dando um brilho de admiração discreto - Conhecer um pouco mais de outra parte da vida de Elisa na verdade me deixa muito feliz. - e então, corei na medida certa, desviando o olhar por um instante - E isso soou estranho. Por favor, não acho que eu sou uma stalker ou algo assim...

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O cosmo

Mensagem por Youta em Seg Jun 04, 2018 7:20 pm

Chuck sorriu ao comentário de Lygia e aguardou que os dois cavaleiros se sentassem. Ele parecia extremamente satisfeito quando Lygia lhe deu a rosa, automaticamente a colocando em sua lapela.
 
- Eu atenderia qualquer amigo e companheiro de Elisa com gentileza, mas ela costuma ligar avisando que vem ou que vai mandar alguém normalmente. Acredito que deva ser um tempo difícil para vocês. Trabalham com Elisa nas funções dela de Defensora das Nações, eu suponho? Fundação GRAAD também, não é?
 
Então, o homem de cabelos azuis pareceu um pouco diferente. Os olhos cintilaram ao sentir o cosmo fluir e ele sorriu abertamente mais uma vez. Lygia sentiu uma emanação de cosmo vinda dele, como que respondendo ao cumprimento que a rosa (ou ela mesma) lhe dera. Parecia menos forte que Hank ou mesmo que Keeva, talvez até mesmo mais fraco que um cavaleiro de aço, mas com certeza, muito mais forte que um humano comum.
 
O rapaz então bateu palmas delicadas e a casa ganhou vida, quase que literalmente. Ele possuía criadagem, mas a mesma estava oculta e distante. Assim que se manifestaram, Lygia os viu se aproximando e logo notou uma coisa singular: A criadagem do homem era composta por robôs de alta performance. Sem formas humanas, só com rodas e garras para carregar coisas, limpar e servir. Troncos retangulares e com espaços por onde brotavam seus prolongamentos em forma de pinça que se equilibravam em alguns pares de rodas. Com seu cosmo aflorado Lygia sentia mais alguém nos cômodos internos e esta pessoa parecia estar dormindo tranquilamente em um lugar um pouco distante da sala.
 
Os robôs trouxeram chá que foi preparado diretamente na bandeja de prata à frente deles, tirando os bules e a prataria de reservatórios em seus troncos.
 
E Chuck Webster então tomou novamente a palavra logo após a afirmação de Lygia, com um sorriso discreto nos lábios pela postura de fã inverterada dela. Ele então tomou a palavra, indicando a criadagem mecânica e dizendo:
 
- Espero que não se incomodem de terem chá, mas eu realmente não esperava por visitas. Vou providenciar algo para acompanhar o chá em breve. Sabem, fotografia é um tipo de arte muito delicada e baseada em detalhes e uma criadagem barulhenta e que necessita de instruções me atrapalharia em momentos cruciais. Portanto, a maior parte da minha segurança e dos meus funcionários é robótico. Além do mais, dificilmente um criminoso comum conseguiria me fazer mal, não é mesmo?
 
Webster parecia entender a desconfiança de Lygia, e então acariciou a rosa em seu peito, dando outro sorriso, desta vez de saudade. Ele então pegou uma das xícaras, convidando os convidados a fazer o mesmo e depois de um curto gole, ele começou a falar:
 
- Conheci Elisa em um vernissage em Paris. E sempre tive uma sensibilidade diferente dos outros para reconhecer pessoas, e só depois dela descobri que se tratava do meu “cosmo” aplicado em meus sentidos mundanos. Eu achava que era besteira, até uma rosa como esta florescer dos dedos dela diante dos meus olhos. Eu a auxiliei a seguir um rastro de outro homem, que se passava por fotógrafo em Paris e nos tornamos amigos. Ela posou para alguns pôsteres meus e algumas coleções de amigos, sempre mostrando seu lindo rosto e olhar encantadores. Posso dizer que cheguei a me enamorar dela, mas ela tem suas funções e não pode se prender a um homem como eu.
- Mas a Senhorita não me disse o que posso fazer para ajudá-los, Senhorita Conti. Seria algo que Elisa pessoalmente não pode fazer?
 
Chuck Webster aguardou a resposta e a todas estas, Hank examinava os robôs. Ao sentir Lygia liberar seu cosmo, ele novamente usou sua habilidade e começou a farejar o ambiente a sua volta discretamente e Lygia percebeu que ele chegara as mesma conclusões que ela tinha chegado com suas habilidades. Ouvindo o homem, Hank então farejou discretamente o chá, esperando que Lygia fizesse a parcela dela. Com um olhar e um ligeiro toque no ombro da garota, como que para arrumar a postura, Lygia sentiu a intenção de Hank falando sobre o chá.
 
- Está seguro.
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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

Mensagem por Lygia em Ter Jul 10, 2018 8:46 am

Cosmo-dotado. Não o suficiente para ser um soldado, mas fazia mais sentido Elisa ter se aproximado dele. E ele também conhecia a fundação GRAAD! Me senti um pouco mais confortável; não parecia que teríamos problemas ali.

Tudo bem que eu gastara toda minha concentração em não pular de susto após as palmas de Chuck. Eu sabia que robôs existiam, lógico, eu não vivia dentro de uma caverna. Mas ser “cercada” por eles de uma forma tão inesperada não era comum, de forma que meu estranhamento não deve ter ficado tão fora de lugar assim, até por isso, Chuck passou a explicar o ocorrido.

Youta escreveu:
- Espero que não se incomodem de terem chá, mas eu realmente não esperava por visitas. Vou providenciar algo para acompanhar o chá em breve. Sabem, fotografia é um tipo de arte muito delicada e baseada em detalhes e uma criadagem barulhenta e que necessita de instruções me atrapalharia em momentos cruciais. Portanto, a maior parte da minha segurança e dos meus funcionários é robótico. Além do mais, dificilmente um criminoso comum conseguiria me fazer mal, não é mesmo?
- Espero que o senhor não esteja falando isso a partir de experiência própria… – eu ri de forma levemente nervosa, mas não conseguia formar em minha cabeça a imagem daquele homem delicado se livrando de criminosos em becos escuros. Eu aceitei a xícara que aquela garra de ficção científica me oferecia, sentindo seu aroma com um sorriso satisfeito e então pousando-a em meu colo, para que esfriasse um pouco. A umidade em minhas narinas denunciavam os componentes dissolvidos na água, e todos eram apropriadamente inofensivos – E não se preocupe; chá está ótimo. Na verdade, nós viemos sem avisar, e isso sim foi rude de nossa parte. Uma criadagem mecânica é de fato prático nesse sentido… mas confesso que me surpreendeu. – eu ri de meu próprio susto.

Não pude deixar de perceber a outra pessoa na casa. Seria um parente? Um modelo? Outro visitante? Bom, nós já havíamos chego até ali sem problemas. Dificilmente uma presença adormecida seria de grande problema naquele ponto das coisas. Chuck então passou a explicar sobre sua breve história com Elisa, e ela era realmente plausível. Finalmente, minha conclusão era de que aquele homem era de fato quem dizia ser, e poderíamos seguir com o plano. Ri com compaixão sobre sua decepção amorosa, oferecendo uma expressão de simpatia. Ele não havia sido o primeiro, e com certeza não seria o último ser humano a se apaixonar por Elisa.

Quer dizer… ela era realmente algo à parte, e facilmente faria qualquer um questionar suas preferências amorosas.

Senti o toque de Hank e sua intenção quanto ao chá. Me apoiei em seu toque, exercendo pressão com meu ombro contra sua mão, enquanto arrumava minha postura. Cruzei as pernas, ficando virada para Hank, sentando de forma mais confortável. Meu leque finalmente fora parar no sofá e eu dera um gole em meu chá, enquanto Chuck lançava mais uma vez sua pergunta. Aquele era meu sinal para Hank de que eu finalmente me sentia à vontade naquele lugar.

Youta escreveu:- Mas a Senhorita não me disse o que posso fazer para ajudá-los, Senhorita Conti. Seria algo que Elisa pessoalmente não pode fazer?
- Mais do que algo que Elisa não possa fazer, eu acredito que seja algo que apenas você possa fazer. – eu introduzi o assunto de forma ligeiramente sensacionalista, mas não deixava de ser verdade; não havia ninguém no Santuário com influência midiática suficiente para criar o alvoroço que eu precisava, em um tempo tão curto assim - Precisamos atrair um certo tipo de pessoas, tira-los de suas tocas, por assim dizer. Mas quanto mais você tenta puxar raposas de seus buracos, mais fundo elas cavam. Já ouviu falar disso? – eu continuei avançando cautelosamente no assunto, construindo meu raciocínio devagar - Então, ao invés de arranca-los à força, o melhor é fazer a raposa sair por vontade própria. E que forma melhor de atrair uma raposa, do que com o coelho? – eu ri de leve da infâmia do trocadilho que eu havia feito sem querer - Já ouviu falar de um grafiteiro chamado Bunny Star? Nós sabemos que esse garoto tem algo que essas raposas querem muito. Então, vamos oferece-lo de bandeja. – eu não precisava contar todo o meu plano, mas também, não via necessidade para mentir - Vamos fazer uma exposição de arte surpresa em Nova Iorque. Altamente exclusiva, do tipo que não oferecia risco, pois nenhuma organização teria tempo de pensar num contra-ataque ou algo assim. Uma oferta “pegar ou largar”. Mas precisamos que as raposas saibam da existência da exposição sem que nós enviemos um convite para elas. Elas precisam “sair de suas tocas” por vontade própria e se achando muito espertas, pois é aí que elas cometerão um erro. – tomei mais um gole de chá. Agora vinha a parte que Chuck desempenharia naquilo tudo. Colocando o chá sobre a mesa em nossa frente, em arrumei minha postura, juntando as mãos sobre meus joelhos. Curvei então levemente minha cabeça, em polida etiqueta japonesa - Elisa me disse que se existe alguém capaz de criar o alvoroço nos meios necessários para alcançar essas raposas em uma semana, esse alguém seria você. Mr. Webster… sei que é um homem ocupado, e que centenas de pessoas lhe pagam uma fortuna por esse exato tipo de coisa, mas egoistamente eu venho lhe pedir; poderia nos emprestar seu talento para fazer desta exposição de arte o evento mais desejado por grandes empresários de fachada em Nova Iorque, em apenas uma semana?

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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

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