[Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

Mensagem por Lygia em Seg Maio 14, 2018 4:57 pm

Admito que eu ergui uma sobrancelha quando ele começou a erguer minha mão. Mas nada poderia me preparar para o que aconteceria a seguir.

Como se já não fosse ruim o suficiente Hank beijar minha mão, ali, do nada, ele ainda o fez ao mesmo tempo que desbloqueava o cosmo dele.


Ok, entendido. Eu não ia mais xingar Chara na sua frente, agora só vamos voltar a andar como pessoas normais...

É, os planos de Hank não estavam exatamente alinhados com os meus. Eu tive certeza disso quando ele me puxou para mais perto, dando um daqueles sorrisos de bom menino dele. Será que ele tinha noção do que estava fazendo? Lobos, cães... eram todos iguais...

Olhei de novo enquanto pedia para não levantarmos mais o assunto sobre Chara. Não, ele não tinha noção. Nenhuma.

Ok, como você quiser. Só volte a agir normalm...



Merda.

O milissegundo que tive para ler o movimento de Hank não foi suficiente para que eu raciocinasse sobre o que estava acontecendo. Minha expressão continuava elegantemente surpresa e atenta ao que ele falava, mas eu tinha quase certeza que minha frequência cardíaca tinha perdido o compasso com o susto por um instante. Como alguém que tropeça um degrau de uma escada, mas logo recupera o equilíbrio.

Aquilo sim havia sido inesperado. O abracei de volta, dando ligeiros tapinhas nas costas dele, num sinal de que estava tudo bem. Para mim também, ficaria tudo bem.

Hank não era uma ameaça. Bastava eu não me deixar levar por aquele calor nostálgico, e tudo continuaria igual. Hank não ficaria triste, eu continuaria viva e nós continuaríamos bem.

Senti o abraço dele folgar, e também relaxei meus braços. Aproveitei a distância pra realinhar minha roupa, um pouco sem graça, mas ainda de forma divertida, e assim, liberar minhas mãos, sorrindo satisfeita para ele.


- É bom ter você de volta. - eu disse com sinceridade. O que diabos Tokyo estava fazendo com aquele menino? Ele nunca fora assim no santuário. Gentil sempre, mas digamos que ele estava excepcionalmente cuidadoso. Eu não havia deixado minhas habilidades escaparem por aí, havia? - Ok, essa será nossa missão, eu prometo. E se conseguirmos resolver tudo a tempo, vou te levar para comer a melhor coisa da sua vida.

Eu prometi com um ar de barganha, já olhando para o meu relógio, e torci o lábio ligeiramente para o lado, em desaprovação.

- Mas para isso, precisamos chegar a tempo em nosso primeiro compromisso do dia. - eu suspirei, ajeitando um pedaço de minha franja, recomeçando a andar, mas me mantendo ao lado dele - Vamos? Não podemos deixar um amigo da Elisa esperando...

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O Colunista Surpreso

Mensagem por Youta em Qua Maio 16, 2018 2:42 am

O lupino a soltou e sorriu calmamente para ela, do jeito convencional. Ele parecia realmente de volta ao seu estado natural, de gentileza confortável e de sorriso acolhedor. Ele olhou para um dos inúmeros mostradores digitais na rua quando Lygia consultou as horas e se pôs a segui-la, dizendo:
 
- Obrigado! Você tem toda a razão temos que nos apressar. E eu vou adorar comer o que você tem a me apresentar, mas vamos sim, vamos chegar logo até a casa do amigo da Elisa.
 
E assim, os dois se deslocaram pela cidade gigante com velocidade apressada, mas ainda humana. A multidão ficava mais intensa conforme se aproximavam do centro de Imperial Edo, o bairro mais badalado de Tóquio.
 
Tóquio, ou Neo Tóquio como também era chamada era uma das cidades mais avançadas no quesito tecnologia, de modo que painéis enormes de led, torres inteiras de sinal de Wi Fi cobertas de luzes e fachadas inteiras de anúncios eram uma constante na rua, tanto quanto as pessoas consultando suas telas holográficas geradas na pele ou seus micro consoles multifuncionais para ouvir músicas ou notícias. Desta forma, Lygia e Hank conseguiam se mover sem ser notados na cidade, mas era perigoso demais ativar seus sentidos aguçados em um lugar como esse. Um lugar apinhado como este dificilmente daria uma boa sensação aos cavaleiros, além de mais atrapalhá-los do que ajudá-los.
 
E isto preocupava Lygia, por não poder confiar plenamente em seus sentidos, se fosse detectar alguma coisa, ela demoraria muito mais do que seu tempo de reação normal, ou perceberia quando a coisa estivesse muito mais próxima, a menos que ela também emanasse um cosmo alto.
 
Deixando as conjecturas de lado, eles logo chegaram a um complexo residencial com diversos prédios, cercado de torres de vigilância. Porém, elas estavam sem nenhum vigia e o acesso até a casa de Chuck Webster foi fácil. Ele morava em um grande condomínio. Eles acessaram a portaria do prédio e sem consultá-los, o guardião da porta os deixou subir pelo suntuoso elevador. Lygia sentiu a rosa de Elisa pulsar em sua bolsa, quase se mexendo de forma visível. O cosmo da pisciana pulsava através da bolsa da amazona, de forma perceptível para ela.
 
Subiram no elevador, Hank encostado a uma das paredes do carro sem dizer nada, apenas pensativo. Logo desembarcaram. Lygia viu a grafia do apartamento procurado. Era o único do andar com uma porta enfeitada por Art Noveau e os números de forma rebuscada. Uma campanhia esperava ao lado da porta, que logo foi acionada pelos cavaleiros.
 
E então, um homem abriu a porta, com um olhar ligeiramente surpreso. Ele tinha os olhos e os cabelos em um mesmo tom azulado muito bonito e estava impecavelmente vestido. Ele olhou para ambos e disse com um tom que deixava visível sua dúvida:
 
- Sim?
 
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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

Mensagem por Lygia em Qua Maio 23, 2018 2:43 am

Aquele lugar era um absurdo. Eu havia chego naquela conclusão apenas de olhar o exterior do complexo, e já pensava na dificuldade que teríamos para chegar lá, quando as portas se abriram sem perguntas.

As torres vazias eram muito suspeitas, e o pulsar da rosa de Elisa não estava me deixando mais tranquila. Antes, meu cosmo estava reprimido por conforto, mas agora, eu o fazia por cautela.

Quando chegamos ao elevador, me permiti pegar um batom em minha bolsa, como se fosse retocar minha maquiagem. E aquilo era apenas uma desculpa para retirar meu leque da bolsa, como se ele estivesse dificultando encontrar o pequeno batom.

Com mais uma olhada no espelho, peguei a rosa de Elisa, posicionando-a em meu cabelo, e novamente, seu caule se torceu como por mágica, se fixando firmemente como um adorno em minha cabeça. E assim, quando a porta se abriu, joguei meu batom dentro da bolsa, agora vazia, mas eu tinha minha arma em minha mãe, a apenas um movimento de abri-la, mas sem aparentemente representar perigo para qualquer pessoa que me visse.

Quando saímos do elevador, eu me abanava de forma distraída, olhando em volta para o corredor luxuoso, enquanto deixava que Hank tocasse a campainha.


Youta escreveu:
- Sim?

Eu fechei o leque contra a palma da minha mão livre, segurando-o mais ou menos pelo seu centro, sorrindo agradavelmente para o homem à minha frente, tão peculiar quanto sua porta. Daquela forma, eu poderia esfaquear um possível atacante com as pontas afiadas do meu leque, ou apenas fazer um charme, cortando as barreiras físicas entre nós, dizendo da linguagem dos leques que gostaria muito de conversar com aquele homem.
- Mr. Chuck Webster? – eu indaguei, com agradável expectativa - Me chamo Lygia Conti, e este é Hank Twao. Somos amigos de miss Elisa. – eu ofereci minha mão livre, mas muito ciente do meu entorno. Uma vez que não poderia contar com meu cosmo, ficaria com meus sentidos humanos.

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Casa de Fotografia

Mensagem por Youta em Qua Maio 23, 2018 9:44 am

A porta se abriu por completo, revelando o corpo do rapaz por completo. Chuck Webster deveria ter por volta de 25 anos, nem muito mais velho nem muito mais jovem do que isto, muito embora as cirurgias plásticas e a bioescultura de rostos pudesse fazer milagres naqueles tempos. Estava vestido com um elegante colete cinzelado e um terno de risca de giz azul.
 
O homem ouviu a apresentação de Lygia e cumprimentando o lupino com a cabeça, ele tomou a mão de Lygia e beijou delicadamente as costas dela, com muito mais volúpia que Hank tinha feito instantes atrás, mas com muito menos do que a maioria dos homens fazia com a amazona. Ele era amigo de Elisa, deveria ser, no mínimo, educado.
 
Hank retribuiu o cumprimento de cabeça com o mesmo movimento e com um sorriso simpático, digno dos que ele geralmente usava.
 
Chuck então, soltou a mão e respondeu Lygia com um sorriso contido e educado. A moça notou os olhos do homem indo diretamente para a rosa que ela carregava no cabelo, como se soubesse exatamente de que Elisa ela estava falando.
 
 
- Encantado em conhecê-los, Senhorita Conti e Senhor Twao. Por que não entram para conversarmos melhor?
 
A casa era um espetáculo a parte. Toda decorada em estilo vitoriano parecia ter viajado no tempo para recebê-los. As janelas tinham vidraças em estilo antigo, pesadas e com molduras de ferro. A mobília era de mogno ou madeira de lei, impecavelmente limpa e lustrosa. Tapetes de couro e pele sintéticos emolduravam o piso, este feito de tacos polidos e madeira e de policarbonato, dando um aspecto vítreo e reflexivo ao chão da casa.
 
O homem com gosto refinado os conduziu a um sofá com espaldar e então, sentou-se em uma poltrona confortável à frente deles. Ele sorriu e suspirou de saudade, recomeçando a falar:
 
-Ah, Elisa! A mais bela das beldades que já tive a sorte de encontrar! A rosa é dela, não é? Chuck apontou para o cabelo de Lygia, com um sorriso maravilhado: - Reconheceria este formato, este frescor e este aroma em qualquer lugar. Se são amigos de Lady Elisa, são meus amigos também! O que posso fazer por vocês, Senhorita Conti, Senhor Twao?
 
O lupino não respondeu. Ele olhava bestificado em volta, mas Lygia o notou atento à porta do apartamento. Por dentro, ela parecia totalmente diferente do que era por fora. Tinha diversas trancas eletrônicas, uma mais sofisticada do que a outra. Enquanto Hank olhava para a casa e procurava Lygia não sabia o que, Chuck esperava a resposta da amazona, enquanto tamborilava com os dedos nos joelhos, sorrindo.
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Re: [Entrementes Lygia] Coooompraaaas!

Mensagem por Lygia em Qua Maio 23, 2018 3:48 pm

Mais novo do que eu pensava na verdade... Isso é, assumindo que aquele rosto era dele mesmo, e não comprado por aí. Mas ele era tão estiloso quanto eu imaginava.

Não foi difícil perceber que os primeiros cômodos do apartamento estavam vazios, mas aquilo não me tranquilizava tanto quanto deveria. Alguém que morava num lugar como aquele atendia à própria porta? Onde estava alguém com uma bandeja de prata? Clichê? Totalmente...

Mas clichês eram estabelecidos por uma questão de observação e repetição. O que fugia ao clichê sempre tinha um motivo. E eu não gostava de surpresas.

Na verdade, a total ausência de outros seres humanos naquele complexo me incomodava profundamente. Afinal, nós estávamos em Tokyo. A cidade mais populosa do planeta! Ele não podia ser tão rico assim, podia?

Enquanto eu conjecturava, ele tomou minha mão, e respeitando o padrão de comportamento masculino, a beijou com um pouco de intimidade demais para um recém conhecido.

Ao menos um comportamento dentro do esperado arrancou um ligeiro sorriso dos meus lábios, o qual cobri timidamente com a ponta do leque, ainda fechado, que escondia apenas parcialmente meus lábios.

Em meio ao convite para entrarmos, o olhar que ele depositou na rosa em meus cabelos não passou despercebido. Bom, ou estávamos diante do homem certo, ou estávamos caminhando bonitinhos para dentro de uma armadilha. Ao menos, a possibilidade de ser o homem errado diante de nós havia sido descartada.

Ao entrar, deixei meu queixo cair ligeiramente, observando a decoração da casa. Ou assim fingindo. Mentalmente, mapeei portas, janelas e pontos cegos. Locais por onde ameaças poderiam surgir e por onde nós poderíamos fugir. Em meio a tudo isso, também observei os arredores. Ok... talvez ele fosse tão rico assim.


- Sua casa é maravilhosa. - eu comentei como quem deixa escapar um pensamento, mas voltei meu olhar para ele, como que admitindo o que eu acabara de falar - Bom... não poderia esperar menos depois de ouvir sobre você de Elisa.

Youta escreveu:
-Ah, Elisa! A mais bela das beldades que já tive a sorte de encontrar! A rosa é dela, não é? Chuck apontou para o cabelo de Lygia, com um sorriso maravilhado: - Reconheceria este formato, este frescor e este aroma em qualquer lugar. Se são amigos de Lady Elisa, são meus amigos também! O que posso fazer por vocês, Senhorita Conti, Senhor Twao?

Eu ri, ok, naquilo nós concordávamos. Descansei meu leque sobre minhas pernas cruzadas, sentando à ponta do sofá, ligeiramente apoiada sobre um dos braços com o cotovelo. Uma posição para manter o alinhamento de minhas roupas e o conforto de meu salto. Mas também, uma posição de reação rápida a qualquer estímulo.

Bom, ele reconhecera a rosa de Elisa, e se não me engano, ela nunca se passara por uma artesã. Eu assenti, tocando-a levemente com os dedos. Ao fazê-lo, deixei meu cosmo fluir discretamente, ainda abaixo do potencial dormente de um cavaleiro de bronze, algo como um humano sensível ao cosmo. Se ele não fosse cosmo dotado, não perceberia nada. Se tivesse alguma sensibilidade, não era o suficiente para ela saber se vinha de mim ou da rosa de Elisa. Agora... se seu humor modificasse ou ele se colocasse em alerta, eu saberia imediatamente que tínhamos um problema em mãos.


- Sim, é a rosa dela; ela nos disse que seria o cartão de visitas dela. - dizendo isso, retirei o adorno de meu cabelo, ajeitando-o com a mesma mão, sem nunca abandonar meu leque - E também um presente por nos atender tão gentilmente. - eu então ofereci a rosa de Elisa com um sorriso de agradecimento. Seria rude simplesmente passar para as explicações de um favor antes de trocar cordialidades. Rude e arriscado.

Eu havia visto a porta que Hank olhava surpreso, e fingia muito mal que não notara a quantidade de trancas. Dando a impressão que eu estava educadamente não perguntando do que se tratava tanta segurança, mas que queria muito saber o motivo para tanto.


- Me sinto honrada em saber que poderemos ser amigos. - eu respondi à gentileza, desviando meus olhos da porta, e os dando um brilho de admiração discreto - Conhecer um pouco mais de outra parte da vida de Elisa na verdade me deixa muito feliz. - e então, corei na medida certa, desviando o olhar por um instante - E isso soou estranho. Por favor, não acho que eu sou uma stalker ou algo assim...

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